segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Minha experiência em escola da rede pública!





O estágio é um trabalho que se resume na prática e em vivências de experiências, visando o crescimento profissional e pessoal do indivíduo.
Nessa perspectiva, tive a oportunidade de conhecer, durante um mês, uma nova realidade: Escola Municipal Maria Lúcia.
Acostumada com o ambiente do CENSA, logo no primeiro dia compreendi que a tarefa não seria fácil pois conheci uma turma de alunos heterogenia, apresentando crianças agressivas, amedrontadas.
De início apresentei certa resistência para aceitar a oportunidade porém com o passar do tempo compreendi que a dura e cruel realidade em que os discentes se inserem contribui para a formação de uma turma tão desajustada.
Problemas financeiros, a falta dos pais em casa, falta de diálogo, falta de carinho, agressividade são fatores que protagonizam os problemas de carência infantil.
Sabemos que os problemas são muitos e de difícil mas não impossível solução. Conduto a realidade se mostra algo intolerante à mudança já que não depende diretamente de nós professores, auxiliares ou qualquer outro membro do grupo escolar. Depende de vários fatores sociais, financeiros, culturais, afetivos.
Desse modo, acabar com o problema não significa uma direta melhoria na vida da criança, mas devemos fazer nossa parte.
Quanto às questões afetivas, podemos citar a agressividade que nada mais é que “ações-espelho” pois refletem o cotidiano familiar dos pequenos, pude perceber que os alunos mais agressivos são também os mais carinhosos, são eles aqueles que dão mais valor aos pequenos gestos de carinho.
Outro traço afetivo percebido pela minha pessoa era a influência exercida por alguns poucos alunos apesar de se manifestarem através de bagunças em momentos indevidos, percebi características de formação de liderança.
Já as atividades conceituais seguem um ritmo diferente do sistema apresentado no Auxiliadora. Havia uma atenção direcionada individual. A professora realizada com cada atividade apresentada, primeiramente no quadro de giz com a interação deles, em seguida andava pela sala para ver o desenvolvimento de cada um. Alguns realizavam a auto produção em suas atividades, outros precisavam de uma atenção especial.
Já que se encontravam no 3°período, trabalhavam conteúdos como: interpretação de imagens, seqüência cronológica, antecessor e sucessor, construção e escrita de palavras, entre outros.
A sala de aula possuía mural com o tema apresentado naquele mês, tinha as letras do alfabeto, representações numéricas utilizando matérias concretos.
Acredito que os momentos de diversão e brincadeiras poderiam ser mais valorizados, pois faltava um momento como este.
De acordo com o livro ‘Psicologia na Educação’ pág. 36, “o organismo e o meio exercem uma ação recíproca, da qual uma influência o outro. Essa interação acarreta mudanças sobre o individuo. Então, é na interação da criança com o mundo físico e social que as características vão sendo conhecidas. Para cada criança, a construção do conhecimento exige uma ação sobre o mundo”.
Esse período de estágio me fez perceber que a educação não exige muito mais conhecimento do professor, exige dedicação e amor, pois no ensino público que atende a maioria da população brasileira, ainda apresenta algumas falhas que precisa urgentemente de reparo.
Afinal, são de escolas como o E.M. Maria Lúcia que sairão os futuros cidadãos brasileiros. Queiramos ou não, boa parte de formar esses seres humanos estão em nossas mãos.

Larissa Azevedo

Um comentário:

Didática e a evolução disse...

Realmente a tarefa em estagiar numa escola pública não é uma tarefa fácil, pois estamos acostumadas com uma única realidade. Porém, sabemos que esta realidade irá mudar com a demanda de professores competentes e preparados para lidar com essa situação.

Parabéns pela sua evolução.

Aline P, Jenifer e Inglidy